terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Bloco Amarra o Burro - Desfile da Escola de Samba Unidos da Piedade -2015

Enredo:”PIEDADE 60 ANOS. UMA ODISSEIA CARNAVALESCA DE CONQUISTAS”
Carnavalesco: Alex Santiago Duarte.
A Sinopse
Sinal verde, o asfalto vira palco da emoção, neste momento o coração acelera, a voz fica trêmula, bate um frio na barriga, a respiração fica fraca e os olhos lacrimejam. E por pouco tempo sonhos tornam-se realidade e mais um ano a Unidos da Piedade brilha na passarela do samba, esta mistura de medo e alegria é nosso elixir para mais um ano brincar o carnaval. São tantos sentimentos para descrevê-los em um livro é pouco, seria necessário construir uma grande biblioteca para contar as várias histórias de vida contidas em cada canto de Vitória, uma relação de amor entre o capixaba e a escola de samba “MAIS QUERIDA” a Unidos da Piedade.
O tempo inesgotável, algo além do visível, mas calculado a cada instante pelas ampulhetas do destino, sessenta giros, um para cada ano da trajetória dessa Escola, que pioneira no estado, festeja com toda hora e pampa suas 15 conquistas. Mas existem vozes que não querem ficar em silêncio, não dá pra segurar, gritos saem pela boca, tivemos campeonatos roubados, que por ironia do destino, piratas saquearam nossas estrelas douradas, injustiçados por uns e aclamado pela sociedade.
Com espírito desbravador a Unidos da Piedade te convida para festejar o carnaval de 2015, te leva numa odisseia carnavalesca, em busca de mais um título. Com a força de um sorriso vamos entrar nesse universo verde, vermelho e branco, beijar mais uma vez o pavilhão e ao olhar para o escudo desta bandeira estaremos em frente de um espelho, onde o reflexo é a nossa própria história de vida, há quem diga que em cada sambista capixaba existe um pouquinho de piedade no seu coração.
Nosso palco é a avenida, nosso canto é o samba, nessa odisseia vamos embarcar nas histórias do mundo e acreditar que a vida é um sonho transformado em fantasias. Uma viagem cheia de aventuras extraordinárias, histórias desvendadas, saberes incompreendidos, conquistas inesperadas, lugares longínquos e mundos encantados. A Unidos da Piedade foi a maior e mais compreensiva professora do morro, até quem nunca estudou, aprendeu com seus enredos, como uma gigante, conquistou majestosos títulos, cantando a História do Brasil.
A GRES Unidos da Piedade durante muito tempo foi o maior movimento carnavalesco no estado, inspiração para o surgimento de outras Escolas de Samba. Seus enredos não eram apenas música e sim ensinamentos vestidos de emoção, em suas notas e acordes refletiam as cores e o orgulho de ser capixaba. Nas ruas varria a tristeza e semeava a cultura de um povo esquecido no morro; seu canto era um grito de arrepiar e todos que ouviam seus sambas se apaixonavam. Desde cedo idealizou conquistas e como guardiões escolheu dois dragões verdes como protetores. O dragão uma das figuras mitológicas mais poderosas da antiguidade, é uma mistura de serpente com pássaro que protege tesouros magníficos, representa força e poder, seu significado é segundo mitologia é aquele que enxerga longe. E com essa visão além do visível, que a Unidos da Piedade projetou seus enredos, em versos exaltou a pátria mãe gentil e seus personagens imortais, fazia olharmos para o passado, caminhando e cantando sob a luz do luar, as cortinas se abriam para o show da “MAIS QUERIDA”.
Parece que foi ontem, mas ainda escutamos suas musicas inspiradas no verde das matas, nas águas da fonte e no samba. Quantas vezes falamos do Brasil, viajamos tantas vezes pela Bahia, por Pernambuco, voamos com Santos Dumont parando no Arraiá da Rainha Negra do Tijuco – Chica da Silva, depois descansamos cantando os encantos do Espírito Santo, para no ano seguinte colorir a Avenida Jeronimo Monteiro com um século de carnaval, ao entardecer lembramos nossas origens negras, a africanidade através de Mandela. Mas o tempo não para, e com os giros do destino velejamos no mar de poesias de José de Alencar, de norte a sul viajei e num sonho prateado nosso amor chegou a seus vinte e cinco anos; Parece magia, mas uma estrela brilhou com o mundo encantado da criança, logo que amanheceu no ar ficou um cheiro da majestade o café. Mesmo perto do fim, estamos longe de acabar essa prosa, muitos enredos ficaram engasgados pelo caminho,foram vários momentos de lágrimas, só após andar com olhos atentos Rua Sete de Setembro, uma rua que virou samba que a Piedade renasce das cinzas e se transforma a fênix carnavalesca, pois cada lágrima que rolou fertilizou a esperança dando novos caminhos que levaram a abrimos a caixa da Pandora com AFEC, exaltando a maior virtude no homem que é o amor, a Piedade ilumina a passarela do samba com anjos de luz e em 2015, nos seus 60 anos, um novo ciclo desta pauliceia desvairada inicia, longe de me sentir Mário de Andrade, mas, somos poetas da vida e nossos momentos ficam eternos em versos românticos transformados em samba, o que posso é ter orgulho de onde tudo começou “Eu morro naquelas montanhas e as pedras são minhas vizinhas, Piedade se você me ama, ascende essa lembrança minha”, ascende a chama escondida de cada capixaba que se arrepia com a voz de Papo Furado, ilumina o carnaval que espera ansioso para o brilho da escola mais campeã, pioneira e mais querida passar. Exaltar a gente boa da Piedade é colocar a alma do capixaba em cena e reunir tantas vozes de conhecimento da causa e hoje é parte viva de sua história, conferindo que uma Escola de Samba tem papel definitivo na sociedade com seus enredos, transformando em fantasia e música tudo em sua volta, dando margens a imaginação.
São quatorze estrelas no peito, quatorze dragões coroados, 60 momentos inesquecíveis, não podia faltar à conversa fiada, as brigas e as lágrimas. Mas no dia do desfile tudo é deixado de lado, até quem esta doente,para desfilar fica curado. Na concentração “os calafrios, o pé coça, o corpo treme e o canto sai como um grito…” é o retrato do eterno torcedor. Chegará um dia que não poderemos pisar na avenida, as pernas ficarão bambas e o corpo fraco, mas, o samba nos dará força, pois nosso sangue é de sambista, nossa alma é o carnaval, nosso coração é a bateria e nossa roupa é uma fantasia, somos eternos enquanto o samba continuar vivo em cada canto de Vitória. Inspirado pela saudosa cantora Alcione “não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, o morro é feito de samba e samba é pra gente sambar.” Assim Piedade terra de bamba, seu samba é o retrato nu e cru da vida cotidiana do povo capixaba que sofre pelas injustiças da vida, mas rir quando canta seus desenganos. Eterna com seus sambas, seu jeito bamba, passos tortos e a roupa branca e engomada, é resguardada pelos saudosos integrantes da velha guarda. Considero esta escola a essência do Amor, a inspiração para a Arte e a força da Comunidade, quando todos indiferente de credo, cor, sexo ou posição social unem-se para colocar um pouco de si nesse bem maior, que é o pavilhão da Unidos da Piedade.
PRIMEIRO SETOR
A ODISSEIA – UMA VIAGEM AO PASSADO
Porta voz do morro sou majestade, celeiro de bambas, sou MAIS QUERIDA, sou Piedade. Quinze estrelas gravadas no peito adornam o manto verde, vermelho e branco que risca no chão do Sambão do Povo transformando sonhos em poesia. Das trevas renasce o amor, seus guardiões guerreiros, vão voar, viajar, em busca do sonho de ganhar o carnaval, conquistando o inesperado, numa magnífica aventura seremos guiados pelas ampulhetas do tempo embarcando nesta odisseia, cheia de mistérios, feitiços, lendas, histórias e magia. A água sinônimo de vida, elemento essencial para o surgimento, manutenção e preservação de tudo que existe no planeta, no oceano de mistérios e magias seu degradê cores fazem a imaginação transformar em realidade mitos e poesias. Nossa embarcação mágica navega sob a luz do astro rei da noite neste carnaval, nossos guerreiros carregam no peito quinze glórias, poderia ser mais se os bucaneiros não as tivessem usurpado. Ao amanhecer chegaremos a terras onde o samba faz morada, a cada passo pelo caminho o som do tambor, que anunciaum jardim verde e amarelo inspirado pelas cores do Brasil. Salve a Tribo de Bambas, Salve o Templo do Samba, sobre a proteção de São Benedito, um lugar, um berço e um novo lar, e quem sabe, desfile ou novamente em procissão, seja Caramurus ou Peroás, de sapato branco ou com os pés no chão, sou raiz, a boemia dos antigos carnavais.
No inicio nossa capital Vitória era apenas uma província e a emoção era andar com fantasias luxuosíssimas vindas da Paris Buliçosa, A Paris do Glamour, da beleza e elegante era desfilar acompanhado com um violinista na Rua do Rosário, este passeio durava horas, até o momento que os tocheiros vinham ascender os lumes da rua. Este era período os bailes inspirados na Comedia Dell’Arte, com fantasias que exaltavam a beleza da Colombina, a ousadia e cinismo do Arlequim e a lágrima de amor do Pierrot apaixonado, figuras que durante anos participavam dos bailes no Cine Central, ao lado do Hotel Capitólio, no andar térreo da Casa Morgado Horta. O famoso período das grandes sociedades carnavalescas iniciou com carruagens minuciosamente enfeitadas e cavalos brancos, mas tarde com o surgimento do automóvel de capa de lona, os carros “Fordeco” automóvel antigo da Ford, passeavam cheios de celebridades jogando serpentinas e confetes nas Avenidas Princesa Isabel e Jerônimo Monteiro. A batalha das flores foi um movimento jovem burguês, onde ao se cruzarem, os ocupantes dos veículos (geralmente grupos fantasiados) lançavam uns nos outros, confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume. O corso carnavalesco surge como ostentação de poder,por sua própria natureza, era uma brincadeira exclusiva das elites, que possuíam carros ou que podiam pagar seu aluguel nos dias de carnaval. Ocorrendo o desaparecimento do corso e dos grupos musicais, por volta 1929, a partir daí surgiram pequenos grupos chamados de batucadas, que apareceram em vários subúrbios. Segundo MORAES, a popularização dos automóveis afastou os foliões das classes alta e média, e nos anos 40, o corso acabaria desaparecendo de vez. Cunha em seu os ecos da folia, sugere que o surgimento de bailes exclusivos para elite (como o famoso Baile do Municipal) após a organização oficial do carnaval, teve papel determinante na decadência do corso e o surgimento de eventos de cunho popular.
O Carnaval é uma das autênticas manifestações populares onde se mistura o povo e a elite em uma verdadeira celebração utópica de genuína alegria. Este movimento vai sendo imitado pela população em massa abre espaço para os blocos populares, à medida que o carnaval crescia, a elite dominante se afastava. No samba não podia faltar a velha ironia, as picardias brasileiras ao criticar em marchinhas, marchas ranchos e sambas sincopados, por se tornar popular com o auxilio do rádio as músicas na grande maioria falavam das mazelas do dia-dia, as marchinhas cantavam a pobreza, a mulata,a favela, a falta d´agua e luz,o pão, a carestia, o transporte público, a crítica aos políticos, ou ainda a enorme capacidade de troçar de si mesmos, da própria miséria cotidiana. Fez a sociedade sair de vez dos movimentos populares e o carnaval foi abraçado pelo povão na integra.
O tempo e o vento leva em suas asas dias de glória, nesta vida passageira, tudo se transforma: os conceitos, os lugares, as pessoas, as virtudes, a música,a arte e até o carnaval,nada para, o tempo não podemos detê-lo. Ao virar as páginas da vida, várias transformações aconteceram nesta capital-ilha, o Cine Central se transformou em um armazém de café, as sociedades tradicionais carnavalescas com a Flor da China, a Flor do Abacate e o Resedáque tantos anos saiam pelas ruas cantando“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil; cidade maravilhosa, coração do meu Brasil…”, varavam altas madrugadas perguntando “Oh! jardineira porque estás tão triste, mas o que foi o que aconteceu…”no fim cantaram a marcha do Adeus,“…Adeus minha gente que já cantamos bastante, enquanto Vitória adormecia, ficava a sonhar ao som desta triste melodia” uma despedida dos carnavais outrora, da“Filha da Chiquita Bacana”, de“Quem Sabe, sabe conhece bem”, esse tempo de “Balancê”, acabou pedindo“Bandeira Branca”, mesmo de “máscara negra”, sou ainda“aquele Pierrô que te abraçou e te beijou”, não falando adeus, mas até logo.
Os saudosos e requintados eventos carnavalescos aos poucos são abraçados pelos festejos populares unindo congo, entrudo, marujada e a congada remanescentes do duelo entre os Caramurus e Peroás, nasceram as batucadas, algo mais dançante, com um gingado ousado, cheio rebuliço e com histórias que falavam de malandragem, do morro, da ginga, o cabelo da mulata. Começava na rua e acabava na casa de vida fácil da Aurora Gorda. Os instrumentos eram de corda e percussão, puxados por um cavaquinho ou banjo. Mas, foi na Fonte Grande, lá no alto do morro, por volta de 1929 desaparecem dos grupos musicais as primeiras batucadas, o chapéu do Lado num morro e a Mocidade da Fonte Grande no outro, depois o bloco “Amarra o Burro” para no fim acabar surgindo a Primeira Escola de Samba Capixaba.
SEGUNDO SETOR
GRES UNIDOS DA PIEDADE
Nossa história começa com a junção de três comunidades a Fonte Grande, A Piedade e o Moscoso, nesse inicio o samba era visto pela sociedade capixaba como marginal, apesar de ser composta por trabalhadores, a grande maioria eram negros e muitos acabaram presos. Essas pedras no caminho não foram empecilho para unir os ideais dos Sambistas Zé Puri e Rominho da Fonte Grande em um boteco foram os primeiros passos para o nascimento desta agremiação. Seus primeiros anos não foram fáceis, primeiro exista e resistência da sociedade com o próprio samba, que era visto como marginal, um ritmo genuinamente negro, era mal visto pelos órgãos sócias e a elite em geral, apenas depois que o samba foi aclamado como uma identidade nacional, que os vários atores do morro puderam mostrar sua arte, muitos ainda eram presos, mas aos poucos o samba ganha corpo no Espírito Santo. Segundo seu Aroldo (Primeiro Mestre-Sala do estado), “fui preso duas vezes, as pessoas achavam que éramos vagabundos, mas todos nós trabalhávamos, eu mesmo trabalhava com vendedor de jornal, tinha sapateiro, alfaiate, açougueiro…”. Assim em meio a sonhos e falta de dinheiro que surge os ensaios e os primeiros movimentos carnavalescos, nos morros de vitória. Entre 50 a 55 a escola de samba estava se estruturando, com o crescimento do Bloco Amarra o Burro, foi necessário algo que abraçasse todo o contingente humano que a cada ano crescia no carnaval. Suas primeiras alegorias eram de roda de carrinho de mão em um tablado de madeira, as fantasias de cetim ou lamê decorada com brocal e as roupas das baianas de chitão, não podemos esquecer-nos da coordenação eficaz da Dona Marlene, os chapeis de papelão ou palha decorados com papel laminado e os instrumentos inicialmente de modo artesanal feito de bambu, balde e pelo de animais retirado do matadouro. Anos de sofrimento fazendo instrumentos improvisados foi assim que tudo começou com muitos sonhos e poucos recursos nasceu à primeira escola de samba capixaba a “UNIDOS DA PIEDADE”.
O papel de Rominho na escola foi importante por que ao chegar do Rio de Janeiro, onde o mesmo foi servir na Marinha do exército e lá conheceu as Escolas de Samba Mangueira e Estácio de Sá, retornando a sua terra natal com novidades. No porta-malas do ônibus trouxe quatro surdos grandes, tamborins, cuícas, caixas, a agogôs e frigideiras colocando na porta do bar da família e chamou os amigos, muitos achavam que nunca iria dar certo, mas no fim o que deu foi carnaval. No boteco do Rominho foi aclamado o Primeiro Presidente, ensinava a batida de cada instrumento primeiro separadamente e no fim tentava realizar a sincronia em conjunto. Não era brincadeira, após os ensinamentos dos batuqueiros vinha à vez das cabrochas, a porta bandeira, o mestre de cerimônia (hoje chamado de mestre sala), o ensaio do canto e as alas. Assim em 15 de janeiro de 1955 nasce o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Piedade, abraçando todos moradores da Fonte Grande, Piedade, Moscoso, o Bloco Amarra o Burro, alguns batuqueiros do Chapéu do Lado e Mocidade da Fonte Grande.
Durante os primeiros anos seus enredos eram cantados a partir das músicas das escolas de samba carioca e marchinhas, em 1956 surgi seu primeiro oponente a Império da Vila e somente em 1957 que a escola ganhou corpo, produzindo alegorias já com chassis de fusca, fantasias adquiridas das escolas do Rio de janeiro, o seu próprio samba enredo, passistas e mestre de cerimônia e porta bandeira. Como poesia cantou o povo, a raça e a miscigenação, em versos trazia a Bahia, terras de todos os santos, cantou seus encantos, as festas as rezas os rituais e os orixás. Este primeiro samba foi uma Exaltação a Bahia.
Em 1958 embarcou na História do Descobrimento do Brasil, ganhando a sua segunda estrela no peito. Finalizado a década de 50, em 1959 embarca nas asas da Aviação e canta Santos Dumont – o filho do Brasil. Nos anos de 1960 as ondas da maré, a Piedade de mar em mar, mareou e nos azul das águas conta a história de Netuno, o Deus mitológico grego, protetor das águas, e cobre a Rua da capixaba com o verde mágico dos encantos no mar e seus mistérios. Em 1961 mais uma Bahia, mas a Bahia do sonho, da sinhá, traz capoeira, do engenho, nos escravos do canaviá. Em 1962 entra na poesia de José de Alencar e fecha esse primeiro ciclo falando com várias cores do meu carnaval em 1963, venceu com tema uma festa popular.
Sobre a proteção de São Benedito, dinheiro para construir esse carnaval era escasso e os campeonatos de baralho foram uma saída para angariar fundos para construir um sonho coletivo. O dinheiro retirado através da porcentagem no jogo, ajudou a colocar a Unidos da Piedade com uma gigante e imortal no cenário do samba capixaba.Com dados históricos, apenas no final da Administração do Prefeito Adelpho Poli Monjardim, foi visto o carnaval capixaba como elemento cultural e popular, uma manifestação simbólica da cultura do povo, o orçamento municipal designou um auxílio para produção, aquisição e manutenção das Escolas de Samba na capital Vitória.
TERCEIRO SETOR
A GIGANTE DO SAMBA CAPIXABA
O tempo evoluiu com o bonde e os trilhos do progresso trouxeram o crescimento do carnaval. A Pioneira Unidos da Piedade não estava unânime em suas conquistas,possuía outra agremiações que na capital, ano após anos, vinham se articulando e crescendo, primeiro a Império da Vila, depois Santa Lúcia, Mocidade da Praia, a Amigos da Gurigica, a Acadêmicos do Moscoso, a São Torquato os desfiles carnavalescos estavam crescendo e ficando muito competitivo ano após ano.
Em 1965 emplacou mais um ano falando da Bahia de São Salvador – cantando o acarajé, temperado no axé e dendê, em toda religiosidade brasileira, cantou tem fé vai a pé, abrir os caminhos da lavagem do Bomfim. Salve Bahia sagrada, de São Salvador. Esse caminho levou a exaltação de sua sétima estrela, mas por ironia do destino amargou também sete anos para gritar novamente é campeão quando cantou os cantos e encantos do Espírito Santo em 1973, entre vinte e dois estados é terra majestosa de encantos mil, tens o convento e como José de Anchieta escreveu poesias, a Piedade deixa escrito este enredo nas areias da vida, porque todos podem cantar sua terra, e nossa escola vem cantar as personalidades capixabas – Maria Ortiz, heroína brasileira, seu nome está escrito na subida da ladeira que bravamente impediu a invasão holandesa. Que viajem maravilhosa o samba nos proporciona, no mesmo instante que estamos imerso nos contos da antiguidade, podemos com licença da poesia exaltar o petróleo e as riquezas do solo capixaba.
E de viajem em viajem com uma viajem através dos tempos, em 1974 a Piedade canta um século de carnaval, um enredo que na Rua Graciano Neves coloriu os ladrilhos com um samba alegre e descontraído, no ano seguinte desvendou o Brasil de vários brasileiros, da raça, da miscigenação, filhos de uma pátria mãe gentil,de norte a sul apresentou quantos Brasis em apenas um Brasil, celeiro cultural. Cada gota de suor caída no caminho fertilizou o elo de amor entre a escola MAIS QUERIDA e a população capixaba, e em 1975 conquista sua nona estrela.Mais foi preciso olhar o brilho das pérolas do mar, e os filhos abençoados por Iemanjá, nasce um menino beijando a esperança. Amado, destino iluminado vestia as palavras para inspiração tornando mestre, escritor, uma lenda e nas ondas do mar de poesiaa Piedade conquista sua décima primeira estrela com o tema Exaltação a Jorge Amado, pescador de letras e de pesca em pesca ao poucos vai pescando títulos no cenário do samba capixaba, jogando a rede, e nela vem cheia de esperanças, com a fartura em abundancia não poderia deixar de cantar a essência do povo brasileiro, e no ano de 1977 os versos transformados em samba de nossa escola fazia homenagem à África de Mandela, a Piedade canta um país que tem a cor da miscigenação, de tantos deuses e tantas religiões, canta a nação brasileira a partir de suas origens guerreiras africanas com o tema Brasil de todas as raças.
E finalizando a década de tantas vitória sem 1979 a Piedade vem com a mágica do mundo encantado da criança, brincado de ciranda, amarelinha, o céu alcançou com as asas da imaginação e lá cheio e príncipes e princesas do reino da fantasia, dando tantas voltas, girando como se estivesse em um carrossel, vai criando o impossível. Quem será que pergunta no espelho da verdade, a bruxa boa falou quem não sonhou jamais amou. Em que é amada, bela pode ser qualquer escola, contudo a mais querida sou eu a UNIDOS DA PIEDADE. A primeira escola de samba de vitória, mesmo que o universo infantil é uma brincadeira nossa escola é um vendaval de vitórias, criança por natureza encanta com alegria a todos que desfilam sobre a tutela de seus sambas. No galope do carrossel seus vinte e cincos anos passaram despercebidos, como um mistério ou uma lenda a mágica do amor aparece de onde menos esperamos, mesmos se um dia tirarmos todas as partes do nosso corpo teremos o samba, e se arrancarem o nosso coração teremos a bateria e pulsará forte para no encontramos o amor, o conto do Homem de lata, prata como um fino metal, vem trazer sua ultima conquista tem veio sete anos depois, será que praga! Mas foi preciso raiar um novo dia e no ano de 1986, ascendo logo pela manhã o fogo do fogão, feito do pó Conilon ou Arábica, no ar fica sempre o cheiro da majestade o café, a água fervendo esse líquido é negro como a noite, quente como o inferno, veio nos navios e aqui plantou o amor e fez, no tablado do carnaval a Piedade fecha este ciclo de quinze conquistas inesquecíveis com um cheiro doce do café no ar.
QUARTO SETOR
TRIBO DE BAMBAS, TEMPLO DO SAMBA, SOB A PROTEÇÃO DE SÃO BENEDITO, UM LUGAR, UM BERÇO, UM NOVO LAR.
Na arte de viver nossa escola aprende dia a dia a vencer barreiras e mesmo com tantos desenganos, levanta, sacode a poeira e dá volta por cima. Apesar de muitas lágrimas no caminho, segue derrubando gigantes,fazendo do carnaval uma lição de coragem e amor. Cada pedra no caminho foi transformada em samba, lutar sem desistir e das cinzas renascer, a felicidade falou que é preciso superar os medos e acreditar que pra sonhar não existe limitações, um dia quem me viu chorar, vai me ver sorrir e cada desafio conquistado nasce uma nova esperança nos caminha da Piedade.
São quatorze estrelas que brilham em sua bandeira, falar da Piedade não tem fim, seus dois dragões guerreiros, protegem o sangue verde, vermelho e branco que faz o coração pulsar. Andamos sob a luz dourada de seus cinquenta anos, histórias e emoções,tiveram muitos desencontros, partidas e fantasias que ficaram pelo caminho. Só depois que a própria escola olhou pra Rua que faz morada, como uma fênix ressurgiu das cinzas e como o numero sete indica novos caminhos pra Piedade, Sete de Setembro foi um enredo que o povo mais um ano bateu no peito e gritou sou, raiz, sou terra de bamba, sou piedade. Não é a toa que neste ano as baianas saíram em homenagem a São Benedito, neste ano a escola brilha com uma excelente colocação. Dançando a luz do luar encarou os medos abrindo a caixa de pandora – com a AFEC a Piedade, linda e majestosa escreveu na passarela com tintas multicor algo que amedronta muita gente. Nesses tempos não podemos fechar os olhos para as figuras saudosas do samba, Papo Furado, Dona Marlene, Seu Aroldo,
E tudo que começou ainda continua vivo com o Bloco Amarra o Burro, a Ala dos Malandrinhos e os eternos amantes da Piedade. Para este ano volta para fazer o povo delirar de alegria, na folia de momo, vamos juntos vestir uma fantasia e com a força da imaginação fazer de uma bacia um escudo e lutar, por este sonho quase impossível vencer, o gigante, e nessa louca ilusão cravar mais uma estrela no meu pavilhão. Para tudo isso no fim descansar, a minha alegria nessa odisseia atravessou o mar, ancorando na passarela do Sambão do Povo, desembarcando tristezas e semeando alegrias. Nessa escola que fica lá no fim da montanha, suas matas, sua fonte e seu samba são eternos.É agora, chegou a hora, não demora que a Piedade vai contagiar, no toque do samba sonhos viram realidade, lágrimas e sorrisos fazem parte deste ritual, de longe ouvindo o canto, como em procissão, vamos terminar começando de novo, pedindo proteção a São Benedito, nossa odisseia não tem fim, apenas uma pausa, para ano que vestir uma nova fantasia e celebrar mais uma aventura no planeta carnaval.
Adiel Carteiro Poeta.

A Piedade será a primeira escola a desfilar - A ala do Bloco Amarra o Burro será a última.
Contato: Toninho Boamorte 99906.4083 ou Everton 99871.1253

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